Sensopercepção

Em um processo grupal que envolve práticas corporais direcionadas contamos com uma maneira peculiar ne elaboração de novas significações e no processo de coscientização.
A sensopercepção, “unidade de todo funcionamento expressivo biopsíquico e social do homem. É processo e resultado do registro da realidade através dos sentidos, ponto de partida da consciência tanto do próprio corpo quanto do mundo externo” e é onde se principia a conscientização. É a capacidade de constatar, internalizar e interacionar com o mundo, o próprio corpo e dos outros.[1]
Tem sua origem na necessidade do movimento, no contato corporal e ativo, constitui o primeiro momento no processo de consciência, orientação e apropriação da realidade através dos sentidos...
A percepção tem que encher de conteúdo, associar-se à memória, ao conceito, encher-se de afetividade e emoção para configurar uma imagem íntegra.[2]
Eis a base do processo de conscientização do movimento. É pelo próprio corpo que se inicia a tomada de consciência.
A música também ajudará a orientar a movimentação, num âmbito bem mais amplo do que só mover-se fisicamente: é a ressonância sonora, corporalizada, que desde o impulso rítmico impõe e encaminha a luta humana. A pugna entre aquilo que se deseja liberar e obedecendo ao impulso com legitimidade, adquire uma nova realidade nas manifestações expressivas que simboliza.[3]
As novas simbolizações, procedimentos e movimentos decorrentes das experiências musicais nem sempre podem passar desapercebidos. É necessário que a pessoa esteja ciente do que lhe acontece.
Muita coisa será remexida ao trazermos a tona movimentos assentados no fundo do ser, impossibilitados de emergirem por variados motivos, bloqueios psicológicos, emocionais, couraças, entre outros. Facilitar a conscientização da expressão gestual possibilita mudanças na relação do sujeito com os outros e consigo mesmo.
Os corpos unificados por um propósito, que particularmente cada grupo ou indivíduo irá desvendar o seu, fluirão na elaboração e improvisação de movimentos pela música (que propicia espaço para transformações) ativando os mecanismos necessários de motivação para propiciar novas significações.
A vibração sonora leva a lutar contra representações mentais que designam coisas, conceitos e significados, e por um caminho misterioso, transforma e inaugura, desde e mais além de nós mesmos, outras sonoridades que deixar fluir as emoções e sentimentos de nosso corpo.[4]
Fica mais simples tomar consciência do próprio processo quando se atinge tramas com tais qualidades e com uma ajuda mutua dos envolvidos que sobrepõem uns aos outros as expansões de si mesmos (em práticas grupais).Contamos também com os diálogos em terapia acerca das experiências vividas. O que pode objetivar essa conscientização e auxilia no desenrolar de todo o processo.