Olhando para trás e vendo todo este caminho percorrido até os dias de hoje, me pergunto o que herdamos de tudo isso, como nos posicionamos em relação a corporalidade. E olhando em volta vejo várias tendências, variáveis no relacionamento do homem com si mesmo. Hoje está tudo muito mais as caras. Temos a liberdade de expressão e isso recai com eficácia sobre nossa corporalidade.
Este processo veio ganhando força no século XX, como vimos a pouco, e hoje o mundo do capital faz dos corpos imagens a serem vendidas ou negociadas. Vale tudo para fazer com que seu produto, seu corpo, seja o mais sedutor possível. Ele precisa ser visto.
O homem acha o exercício dessa liberdade no abuso de poder sobre sua própria existência fazendo da sua imagem o que se quer e se acha poder. “O poder intervém materialmente, atingindo a realidade mais concreta dos indivíduos – o seu corpo – e que se situa no próprio nível do corpo social”.[1] Tornou-se uma exigência da vida social atual.
O corpo é o território do conflito, não mais só de uns contra os outros, mas investimos numa luta contra o nosso próprio ser. Atualmente pensar o corpo é pensar no hoje. A corporalidade é o vitral através do qual podemos visualizar os resultados da evolução, hoje permeada pela globalização.
O controle não é mais direcionado a opressão do que está a nossa volta ele virou um autocontrole. Foucault chama isso de Bio-poder. Deve-se deixar que essa tirania corporal faça parte do nosso dia-a-dia, “a hostilidade entre o espírito formador e a materialidade do corpo deve tornar-se um assunto interno”.[4]
A modernidade, ainda fresca em nossa memória, é de onde recebemos uma influência mais direta e onde encontramos mais facilmente justificativas para o agora, no entanto houve toda uma história, e o que aconteceu nos últimos anos é uma parte dela, assim, de alguma forma não devemos negar as forças históricas no hoje.
Temos na atualidade um campo vasto de possibilidades para exercermos nosso poder. É possível encontrar variadas tendências corporais, que passam desde uma overdose de exercícios físicos ou o abuso das cirurgias plásticas, por exemplo, até àqueles que hoje buscam reavivar formas ancestrais, muito antigas, de cuidados com o corpo. Existem muitos movimentos “a favor do corpo”, e muitas opções de cuidado.
Vale se usar irrefletidamente do que o mundo do capital e suas maquinarias e produtos fantásticos oferecem, gerados velozmente no tempo da evolução globalizada. É inclusivo acompanhar todo esse avanço, sem atrasos, pois o contrário pode te deixar invisível.
E do mesmo modo, para ser visto, é possível produzir e produzir sem parar. Sua produção vende sua imagem, e quanto mais você faz mais tem chance de aparecer. Assim como em todo negócio, você deve atender prontamente a demanda do consumismo influenciado pelas maravilhas tecnológicas.
O corpo deve dar conta de produzir acompanhando o ritmo global equiparando-se a máquinas industriais talvez. Além de estar sempre em boa forma ou esteticamente perfeito e servir aos estudos e investigações da ciência.
Dietmar Kamper fala do distanciamento da vida corpórea provocado por esta produção de contribuições ao progresso, seja ela prática ou teórica.[6] Poder e saber movimentam este corpo histórico e seus desejos. Foucault falava desta relação indissociável do poder e do saber, “não há constituição de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que suponha e não constitua, ao mesmo tempo, relações de poder”.[7]
Muitas das formas de expressão hoje, inclusive a arte, usam do poder ou são usadas por “poderosos” para exercitar e fazer valer a verdade de um saber que ainda possui muitos territórios não esclarecidos.
Através das micro-técnologias, se posso assim chamar, indo cada vez mais fundo e palpando minuciosidades do organismo humano e igualmente por outro lado, pelas muitas formas de trabalhos focando a espiritualidade que foram disseminando-se com o tempo. O que não justifica de forma alguma um “mau uso” da existência, um descuido com o corpo.
O corpo dá sinais da gravidade desses usos e abusos. Não há como anular a ação de todo este processo atual no nosso existir:
O corpo humano é transformado em serviço – como força de trabalho, atendente, aprendiz, objeto de observação e objeto sexual, foco de doenças – além dos limites apropriados.[8]
Considerando todo esse processo histórico-evolutivo como um continuum, notamos uma única temática que passou por vários momentos e cada momento influindo sobre os outros.
Este processo veio ganhando força no século XX, como vimos a pouco, e hoje o mundo do capital faz dos corpos imagens a serem vendidas ou negociadas. Vale tudo para fazer com que seu produto, seu corpo, seja o mais sedutor possível. Ele precisa ser visto.
O homem acha o exercício dessa liberdade no abuso de poder sobre sua própria existência fazendo da sua imagem o que se quer e se acha poder. “O poder intervém materialmente, atingindo a realidade mais concreta dos indivíduos – o seu corpo – e que se situa no próprio nível do corpo social”.[1] Tornou-se uma exigência da vida social atual.
Num disciplinamento, inicialmente lento e específico, das funções e das expressões corporais (modos de convivência, formas de relacionamento, regras de boa educação), a “natureza interna” é ativada para objetivos que se encontram no exterior, e o corpo é submetido a uma global abstração social, de maneira a funcionar simultaneamente de acordo e em desacordo com essa abstração.[2]
O corpo é o território do conflito, não mais só de uns contra os outros, mas investimos numa luta contra o nosso próprio ser. Atualmente pensar o corpo é pensar no hoje. A corporalidade é o vitral através do qual podemos visualizar os resultados da evolução, hoje permeada pela globalização.
É no corpo, pelo corpo, através do corpo e a partir do corpo, que se colocam muitas das questões centrais do atual pensamento e da ação cultural, política, econômica, artística e social. Há uma agoridade que redefine o corpo, imprimindo-o em estatutos específicos, explicitando-o como espaço em mobilidade, ambiente em crise.[3]
O controle não é mais direcionado a opressão do que está a nossa volta ele virou um autocontrole. Foucault chama isso de Bio-poder. Deve-se deixar que essa tirania corporal faça parte do nosso dia-a-dia, “a hostilidade entre o espírito formador e a materialidade do corpo deve tornar-se um assunto interno”.[4]
A modernidade, ainda fresca em nossa memória, é de onde recebemos uma influência mais direta e onde encontramos mais facilmente justificativas para o agora, no entanto houve toda uma história, e o que aconteceu nos últimos anos é uma parte dela, assim, de alguma forma não devemos negar as forças históricas no hoje.
[…] época de fragmentação, velocidade e dinâmicas singulares. A contemporaneidade age como processo de singularização de uma virtualidade temporal presente em diversos recortes históricos.[5]
Temos na atualidade um campo vasto de possibilidades para exercermos nosso poder. É possível encontrar variadas tendências corporais, que passam desde uma overdose de exercícios físicos ou o abuso das cirurgias plásticas, por exemplo, até àqueles que hoje buscam reavivar formas ancestrais, muito antigas, de cuidados com o corpo. Existem muitos movimentos “a favor do corpo”, e muitas opções de cuidado.
Vale se usar irrefletidamente do que o mundo do capital e suas maquinarias e produtos fantásticos oferecem, gerados velozmente no tempo da evolução globalizada. É inclusivo acompanhar todo esse avanço, sem atrasos, pois o contrário pode te deixar invisível.
E do mesmo modo, para ser visto, é possível produzir e produzir sem parar. Sua produção vende sua imagem, e quanto mais você faz mais tem chance de aparecer. Assim como em todo negócio, você deve atender prontamente a demanda do consumismo influenciado pelas maravilhas tecnológicas.
O corpo deve dar conta de produzir acompanhando o ritmo global equiparando-se a máquinas industriais talvez. Além de estar sempre em boa forma ou esteticamente perfeito e servir aos estudos e investigações da ciência.
Dietmar Kamper fala do distanciamento da vida corpórea provocado por esta produção de contribuições ao progresso, seja ela prática ou teórica.[6] Poder e saber movimentam este corpo histórico e seus desejos. Foucault falava desta relação indissociável do poder e do saber, “não há constituição de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que suponha e não constitua, ao mesmo tempo, relações de poder”.[7]
Muitas das formas de expressão hoje, inclusive a arte, usam do poder ou são usadas por “poderosos” para exercitar e fazer valer a verdade de um saber que ainda possui muitos territórios não esclarecidos.
Através das micro-técnologias, se posso assim chamar, indo cada vez mais fundo e palpando minuciosidades do organismo humano e igualmente por outro lado, pelas muitas formas de trabalhos focando a espiritualidade que foram disseminando-se com o tempo. O que não justifica de forma alguma um “mau uso” da existência, um descuido com o corpo.
O corpo dá sinais da gravidade desses usos e abusos. Não há como anular a ação de todo este processo atual no nosso existir:
O corpo humano é transformado em serviço – como força de trabalho, atendente, aprendiz, objeto de observação e objeto sexual, foco de doenças – além dos limites apropriados.[8]
Considerando todo esse processo histórico-evolutivo como um continuum, notamos uma única temática que passou por vários momentos e cada momento influindo sobre os outros.
[1] FOUCAULT apud MACHADO 1979 apud SILVEIRA & FURLAN, 2003, s/p.
[2] KAMPER, 2002, s/p
[3] PIRES, 2004, p. 63
[4] KAMPER, 2002, s/p.
[5] PIRES, 2004, p. 63
[6] KAMPER, 2002, s/p.
[7] FOUCAULT, 1975 apud SILVEIRA & FURLAN, 2003 s/p.
[8] KAMPER, 2002, s/p.